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Quase um conto de Natal 

Posted on dezembro 23, 2015. Filed under: Uncategorized |

Esse texto foi escrito  Andrea Leone, pessoa querida  que compartilha comigo do mesmo  desejo: contribuir para um mundo mais digno para as pessoas que nasceram com a corporeidade Intersex

Já tinha sido convidada por Ana para escrever sobre a experiência de ser advogada voluntária no Ambulatório de Genética do Hospital das Clínicas, que atende todas as pessoas com intersexo do Estado da Bahia, mas sempre que iniciava a escrever a angústia era tão grande que parava…A angústia era/é grande, pois queremos “solução”, mas aí vem o Judiciário e nos ensina, forçosamente, a termos paciência. Paciência, a palavra que, sem sombra de dúvidas, é a mais difícil de praticar.

Mas hoje, a alegria é tão grande que a angústia é de conseguir expressar tanta alegria, e a falta de paciência é para conseguir contar a todo mundo de uma só vez, nós conseguimos!!!

A história é sofrida, originada de uma dor gigantesca, de um total desrespeito aos Direitos da Personalidade e aos Direitos Humanos, começou mais ou menos assim…

A família paulista estava aguardando o nascimento de sua filha Tereza, quarto rosa, lembranças prontas, porém no momento do nascimento uma surpresa, não era possível identificar o sexo biológico daquela esperada criança.

Quando o assunto é desconhecido a conduta já começa de forma equivocada, a criança fora criada como menina, quando tinha 6 anos passou por uma genitoplastia feminilizante, a equipe de saúde, não tenho dúvidas, estava fazendo o que eles entendiam como o melhor para aquela criança, mas em nenhum momento perguntaram, e aquela criança? o que ela acha que seria melhor para ela?

A criança seguiu o tratamento, como mudou-se para a Bahia passou a ser atendida no ambulatório do citado Estado, já com a idade mais avançada, Tereza, já se expressa como Fernando, já vestia roupas de menino, brincava com coisas de menino, e o mais importante de tudo, e sentia um menino.

Após acompanhamento com equipe interdisciplinar Fernando decidiu assumir formalmente a sua identidade masculina, e demos entrada no processo de retificação do registro civil. Esse processo teve início em 2013, mas o nosso tempo, não é o tempo do judiciário. Mesmo com relatórios da psicóloga, médico e exames; a Juíza entendeu pela necessidade de uma audiência.

Na audiência o arrepio era continuo, a Juíza perguntava a Fernando sobre como ele se sentia e ele dizia: “a minha maior alegria é ter mudado de cidade, assim, posso ser quem eu sempre fui, sem que as pessoas façam chacotas ou me olhem como se eu fosse um monstro, minha maior tristeza é não poder mostrar minha certidão de nascimento, pois este papel não me representa”, a Juíza, os servidores, o Ministério Público, todos ficaram comovidos. Ao final da audiência ele perguntou:” posso assinar meu nome?” e a Juíza, emocionada com aquele momento, disse: “ainda não”.

Esse “ainda” demorou 3 anos, 3 anos no judiciário, 3 anos sem estudar, pois não aguentava vivenciar o preconceito social, e 19 anos na vida de Fernando; mas, hoje, com lágrimas nos olhos, faltando um dia para o recesso do judiciário, saiu a sentença da Juíza, dizendo o óbvio, mas permitindo que, formalmente, Tereza seja quem ela sempre foi, Fernando.

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Dia da visibilidade intersexual : da visibilidade à dignidade

Posted on outubro 26, 2015. Filed under: Uncategorized |

“Intersex Awareness Day” ou como foi traduzido o  “Dia da Visibilidade intersexual” acontece  anualmente no dia 26 de Outubro. Esta data relembra um importante  episodio ocorrido no dia 26 de Outubro de 1996. Neste dia,  membros da ISNA( Intersex Society of North America ) , entre eles   Morgan Holmes and Max Beck, após serem impedidos de apresentar seus trabalhos  no Conferencia Anual  da Academia Americana de  Pediatria, permaneceram na entrada do evento com cartazes e faixas. Esta estrategia permitiu que suas ideias e reivindicações fossem ouvidas,  tanto por alguns médicos que participavam da Conferência, quanto pelo público em geral que circulava em frente ao prédio.

Esta foi uma manifestação pública de ativistas intersex que questionavam a forma desrespeitosa  com que eram submetidos à cirurgias  ” normalizadoras”. Hoje pouco ainda se fala sobre a experiência intersex , a invisibilidade ainda é uma constante na vida de muitos nascidos com esta corporeidade. O segredo, nascido da necessidade de proteção das famílias, se torna muitas vezes uma prisão para aqueles que nascem intersex.  A exclusão e o medo de distintas formas de violência  terminam por ratificar a estratégia do segredo. Como efeito  deste silêncios  muitos Intersex se sentem únicos na sua “anormalidadeª”. 

Este blog nasce do desejo de tornar a intersexualidade um tema menos invisível e  de contribuir para ações em que a dignidade humana esteja em primeiro lugar! 

ª Ao utilizar  o termo anormalidade  pretendo destacar que o segredo reforça o sentimento de anormalidade e desordem, além de contribuir para o sentimento de singularidade.( “único no mundo nascido assim”).

Se interessou pelo tema? Veja os links abaixo:

http://intersexday.org/en/max-beck-morgan-holmes-boston-1996/

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 Intersexualidade encoberta no filme  A garota dinamarquesa 

Posted on setembro 5, 2015. Filed under: Uncategorized |

Esta semana vi um trailer que achei bastante interessante. Era o trailer do filme  “A garota Dinamarquesa”. O filme, baseado na vida de Liili Elbe ( Einar Mogens Wegener ) conta a história de um pintor dinamarquês  e seu processo transição para  o gênero/ sexo feminino.

O que fiquei surpresa foi saber que na verdade o que foi tratado no filme como transexualidade era na verdade intersexualidade. Lilly nasceu Intersex. A questão Intersex que enfrenta a invisibilidade social é mais uma vez invisibilizada na  mídia.

Esta adaptação do livro ” Man 
into
 Woman, The First Sex Change, A Portrait of Lili Elbe, The true and remarkable transformation of the painter Einar Wegener ” perde a oportunidade de problematizar a questão da intersexualidade e os agenciamentos sociomedicos .  O sofrimento de  Lily não é ficção , representa a história de muitos Intersex que continuam na sombra e que têm sua existência alinhada à uma vida precária.  Este filme poderia contribuir para um olhar mais humano, menos objetificado, sobre a intersexualidade. Infelizmente não o fez.

Para mais informações segue os links:
https://brujulaintersexual.wordpress.com/2015/09/04/el-problema-con-la-pelicula-la-chica-danesa-the-danish-girl-por-leslie-jaye/

https://oii.org.au/wp-content/uploads/2009/lili_elbe_man_into_woman.pdf

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 Direito de competir e ser quem é : mais uma vitoria da atleta indiana 

Posted on abril 5, 2015. Filed under: Uncategorized |

Ainda não foi  uma vitória definitiva, mas Dutee Chand, atleta indiana de corrida em velocidade,  conquistou uma vitória história.

 Na semana passada a corte Suíça julgou favorável a ação sobre  o direito da atleta competir nos jogos asiáticos que ocorrerão em junho deste ano. Dutee estava impedida de competir por produzir naturalmente uma quantidade de testosterona considerada ” anormal” para o sexo feminino. Ver mais no artigo : https://intersexualidade.com.br/2015/03/09/atleta-indiana-recorre-a-corte-arbitral-do-esporte-pelo-direito-a-diferenca/

Ela comemora, mas ainda  tem um longo caminho a seguir e muitas barreiras à ultrapassar . Sua luta se aproxima da  luta de diversas pessoas que nascem com a variação corporal intersexual, o desejo de ser aceito com o corpo com o qual nasceram. 

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Atleta indiana recorre a corte arbitral do esporte pelo direito à diferença

Posted on março 9, 2015. Filed under: Uncategorized |

No dia 08 de março , dia internacional da mulher, vi uma reportagem que possibilita a reflexão sobre a tênue fronteira entre os sexos.
” Você é homem ou mulher? Todo mundo consegue responder isso , né!” Esta foi a frase que iniciou a reportagem sobre o caso de Dutee Chand, uma atleta indiana de 18 anos, que luta na justiça para ter o direito a continuar disputando as competições de corrida em velocidade.
Dutee se identifica como mulher, isso nunca foi questão para ela, no entanto após um exame chamado popularmente de ” teste de feminilidade” foi impedida de participar de competições esportivas por exceder o limite de testosterona considerada “padrão ” para o sexo feminino.
O argumento defendido pelas organizações esportivas é que uma maior produção de andrógeno pela atleta a colocaria em vantagem em relação à outras atletas. Esta afirmação vale apenas para os andrógenos sintético , não havendo comprovação científica nos casos de uma produção natural de testosterona.
Este argumento , para mim , esbarra no sexismo. Quantos atletas de alta performance possuem corpos diferenciados que os colocam em vantagens aos demais. É caso de Michael Phelps, Bolt entre outros. Que o corpo seja ou funcione de forma mais eficaz para o esporte nunca foi problema, o que parece ser um problema é ter um corpo que ultrapasse a tênue fronteira que delimita os sexos .

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Da invisibilidade ao orgulho intersexual

Posted on setembro 7, 2014. Filed under: Uncategorized |

Hoje em um texto do jornal impresso Australiano “Body and Soul “, Tony Briffa conta sua história e expressa o orgulho de ser intersexual. Esta expressão “orgulho intersexual” é construída na direção contrária ao segredo tão comum às pessoas nascidas Intersex.
Briffa expressa que aceitou seu verdadeiro self e que não se sente nem homem nem mulher, e sim os dois. Hoje celebra ser diferente, mas ressalta que ainda é desafiador viver em uma sociedade que está dividida em homens e mulheres.

A vivência do corpo intersex  não é a mesma para todos, podendo incluir pessoas com identidade de gênero feminina, masculina , ou pessoas como Briffa,  que se sentem como pertencente a uma  categoria distinta da categoria homem e mulher.

Veja o texto no site da Oii: http://oii.org.au/27730/tony-briffa-bodysoul-proud-to-be-intersex/

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